Especial CAvPM – Viaturas que voam

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Especial CAvPM – Viaturas que voam

História e a importância do Comando de Aviação da Polícia Militar do Estado de São Paulo

HISTÓRIA
A Aviação na Polícia Militar remonta ao início do século XX, quando, em 17 de dezembro de 1913, criou-se a Escola de Aviação da então Força Pública, primeira Escola de Aviação Militar do Brasil, sendo convidado para dirigí-la um grande aviador brasileiro, Eduardo Pacheco Chaves, conhecido como Edu Chaves, brevetado na França e primeiro piloto a voar no Brasil. Inicialmente, a Escola de Aviação funcionou no Campo Guapira, na zona norte de São Paulo, atualmente conhecido como Parque Edu Chaves.

Com apoio do instrutor de voo Cícero Marques em 1914, conseguiram formar e brevetar o primeiro piloto policial do Brasil, o Tenente Aristides Miuza. Devido à eclosão da 1ª Guerra Mundial no mesmo ano, houve muita dificuldade para a importação de peças e materiais aeronáuticos para reposição e realização de serviços de manutenção, além do engajamento de Edu Chaves à Armée de L’Air, para auxiliar no combate aéreo em defesa da França, que fizeram a Escola de Aviação paralisar suas atividades, retomando-as somente após a guerra.

De uma forma mais estruturada e organizada, com destinação de orçamentário que possibilitou a aquisição de hangares, aeronaves, equipamentos e contratação de instrutores, a Escola de Aviação reiniciou suas atividades em 1920, sob o Comando do Ten Cel Chrysanto Guimarães e apoio do instrutor de voo norte-americano Orton William Hoover, agora na área do atual aeroporto Campo de Marte.

A Escola de Aviação teve sua denominação alterada para Esquadrilha de Aviação em 1924, e em todo seu período de existência contou com marcantes participações em nossa história, tais como: o primeiro salto de paraquedas do Estado de São Paulo em 1925, pelo Tenente Antonio Pereira Lima; a participação do Tenente João Negrão na tripulação do Jahú, que realizou a travessia do Atlântico, completada em 1927; abertura de vários campos de aviação pelo interior do Estado de São Paulo, que auxiliaram para o desenvolvimento de suas regiões; participação nas Revoluções de 1924 e de 1930; no entanto, a pujança e desenvolvimento alcançados ao longo dessa década resultaram em sua extinção após a Revolução de 1930.

Assim, em 18 de dezembro de 1930, o Boletim da Inspetoria Geral nº 29 determinou que em virtude de escapar à finalidade da Força Pública e devendo ser a aviação um elemento do Exército, pois a Força Aérea ainda não existia, dissolveu a Esquadrilha de Aviação, transferindo os seus próprios ao Governo Federal. Posteriormente, em 15 de julho de 1932, através do Decreto nº 5.590, o Governador do Estado de São Paulo, Doutor Pedro de Toledo, considerando ser indispensável prover a Força Pública de todas as armas necessárias para a consecução dos fins da revolução constitucionalista, criou a “Aviação Constitucionalista”, por meio do Grupo Misto de Aviação da Força Pública (GMAP), que operaram sob o código de chamada “Gaviões de Penacho”.

No entanto, com o fim da Revolução de 1932, o GMAP foi extinto, em 08 de outubro daquele ano, tendo seu material arrolado e entregue ao Grupo de Aviação do Exército, representando, nesse feito, o último suspiro da Aviação da Força Pública.

 

PATRONO DA AVIAÇÃO da PMESP
É o Tenente João Negrão, que participou da travessia do Atlântico Sul integrando a tripulação do Hidroavião Jahú, juntamente com João Ribeiro de Barros, missão completada em 28 de abril de 1927. O Jahú, um Hidroavião Savoia Marchetti S.55, que foi adquirido por João Ribeiro de Barros, saiu de Genova – Itália com destino ao Brasil em 1926, contando inicialmente em sua tripulação com a participação dele próprio como piloto, do Tenente Aviador Artur Cunha, copiloto, Vasco Cinquini, mecânico, e o Capitão Newton Braga, navegador.

Diante da saída de Artur Cunha da missão, quando a tripulação se encontrava em Porto Praia, Cabo Verde, na costa oeste da África, a família de João Ribeiro de Barros procurou um copiloto para assumir seu lugar, encontrando apoio na Esquadrilha de Aviação da Força Pública, que autorizou e apresentou o Ten João Negrão para integrar a tripulação e completar a missão em 1927, tornando-se, pelo feito, o Patrono da Aviação da Polícia Militar e emprestando seu nome à Unidade.

 

 

O RECOMEÇO
Na década de 70, dois incêndios que se transformaram em tragédias por suas proporções chocaram a opinião pública paulista. Em 27 de fevereiro de 1972, o do Edifício Andraus, e em 1º de fevereiro de 1974, o do Edifício Joelma. Em uma ação conjunta de Bombeiros e Policiais, helicópteros civis e da Força Aérea, realizaram vários resgates aéreos e salvaram centenas de vidas. No Andraus ocorreu a maior operação de salvamento aéreo do mundo registrada até hoje.

Esses eventos despertaram, na época, o interesse em alguns Oficiais da PMESP em implementar o uso de helicópteros em missões de Segurança Pública e Defesa Civil. Posteriormente, diante de um cenário de agitação e transição política, em 1983, por sugestão da PMESP, o Governo do Estado valeu-se da Companhia Energética do Estado de São Paulo – CESP, que cedeu dois helicópteros Bell Jet Ranger, usados nas inspeções de redes de distribuição de energia e para transporte de pessoal, para realizar patrulhamento e voos de monitoramento das manifestações.

Em função do sucesso das operações e da importância do apoio aéreo notado pela Corporação e pelo Governo, ações foram adotadas para aquisição de 2 helicópteros, que foram entregues em 15 de agosto de 1984 para a Polícia Militar e Civil, data de criação do Grupamento de Radiopatrulha Aérea (GRPAe) “João Negrão”, atual Comando de Aviação da Polícia Militar de São Paulo (CAvPM), retomando assim as operações aéreas na Força. Após todo um processo de seleção inicial e de formação dos pilotos, tripulantes e mecânicos de voo, com apoio inicial das Escolas de Aviação das Forças Armadas (Marinha e Força Aérea), em 28 de junho de 1986, foi realizado o primeiro voo com a tripulação composta integralmente por Policiais Militares, pois, até então, contava-se com a presença de pilotos civis, momento marcante da nova história da unidade, que sempre zelou e zela pelo trabalho em equipe e capacitação de suas tripulações, que se pautam pela técnica e segurança de voo nos atendimentos à Polícia Militar e à população paulista.

 

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“Voar para Servir”

Em 15 de agosto de 1984, o então Secretário de Segurança Pública, Michel Temer, entregou o primeiro helicóptero para a Polícia Militar, o “Águia Uno”, um Esquilo AS 350 BA, prefixo PP-EID, que opera até hoje. Nascia assim o GRPAe, hoje CAvPM “João Negrão”, inicialmente instalado no estacionamento do 2º Batalhão de Polícia de Choque (2º BPChq), na Luz, que em 1987 se mudou para um hangar no Aeroporto de Campo de Marte, local de onde opera até hoje sob o lema: “Voar para Servir”. A primeira turma de pilotos foi composta por 07 (sete) Oficiais selecionados pela Corporação, a quem coube a tarefa de reativar a atividade aérea na Polícia Militar do Estado de São Paulo.

 

EXPANSÃO E DESENVOLVIMENTO

No decorrer do tempo, a unidade cresceu, os serviços ampliaram-se em apoio a todos os segmentos e atividades de policiamento, de bombeiros e de defesa civil, abrangendo todo o território do Estado de São Paulo, contando atualmente com um efetivo de aproximadamente 450 policiais (homens e mulheres); uma frota com 26 aeronaves de asas rotativas (22 helicópteros Esquilo AS50, 2 helicópteros biturbina, que podem voar sob regras instrumento – 1 EC 135 e 1 AW 109, e 2 helicópteros com motor convencional Schweizer 300CB); e 5 aeronaves de asas fixas (1 avião King Air B200, 1 Grand Caravan, 1 Baron e 2 Cessnas 210 Centurion); que se distribuem e são disponibilizados por meio de 10 Bases de Aviação que atendem o interior paulista, além da sede em São Paulo, presentes nas áreas correspondentes de cada Comando de Policiamento do Interior – CPI (São José dos Campos, Campinas, Ribeirão Preto, Bauru, São José do Rio Preto, Praia Grande, Sorocaba, Presidente Prudente, Piracicaba e Araçatuba).

As Bases de Aviação destacadas foram criadas com objetivo de atender a população da cidade sede e região com mais agilidade, possuindo para tanto 01 helicóptero e tripulação própria em cada uma delas, lembrando que o serviço de resgate aeromédico é disponibilizado, até o momento, somente em São Paulo, São José dos Campos e Campinas. Em 2018 passou a denominar-se Comando de Aviação da Polícia Militar, pela importância e grandeza alcançada dentro da Corporação e atualmente é a maior Unidade Aérea Pública (no ramo da Aviação de Segurança Pública e de Defesa Civil) do Brasil, e realiza voos diariamente em defesa da sociedade.

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EQUIPAMENTOS E TÉCNICAS ESPECIAIS

Dependendo da operação, são necessários alguns equipamentos especiais para a realização da missão com segurança e eficiência tais como: guincho elétrico (içamento de pessoas/vítimas), puçá (cesto para salvamento aquático), cesto de salvamento (salvamento terrestre), maca de montanha/envelope (técnica de McGuire ou guincho – retirada de vítimas de local de difícil acesso), bolsa de salvamento com cordas (que possibilita a ancoragem e equipagem para realização da técnica de infiltração por rapel), caçamba de combate a incêndio (Bambi Bucket – um cesto de origem canadense desenvolvido para combate a incêndios florestais), farol de busca (iluminação de ambientes à noite), e imageadores aéreos (câmeras com capacidade de captação de imagem termal).

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MANUTENÇÃO – PILAR QUE SUSTENTA A OPERAÇÃO

Toda força POLICIAL precisa prover capacidade para manter o bomCAvPM-AOPP-REVISTA-ESPECIAL-6 funcionamento de suas atividades rotineiras e a Polícia Militar está ciente dessa necessidade. Prova disso, é a excelente estrutura da Divisão de Manutenção Aeronáutica do CAvPM. A principal missão da Divisão é acompanhar e gerenciar o contrato de manutenção e realizar inspeções preventivas e corretivas nas aeronaves da PMESP por meio de sua oficina homologada e de seus mecânicos de voo.

Sempre visando mantê-las em condições de voo (aeronavegáveis) e disponíveis, para que a unidade consiga atender suas demandas, seja de caráter policial, de bombeiro ou de defesa civil, em situações de emergência ou programadas, garantindo a confiabilidade das tripulações e da população em nossos “Águias”.

 

 

MISSÕES – AGILIDADE E VERSATILIDADE DOS ÁGUIAS

Os helicópteros Esquilo são máquinas extremamente versáteis, de múltiplas aplicações, e são denominadas aeronaves  multi-missões, que potencializam as atividades e ações da polícia, por seu tempo de resposta rápida e por servir como plataforma de observação elevada, proporcionando aos tripulantes um campo de visão privilegiado, e por conta disso consegue oferecer maior segurança à operação e ao efetivo em solo, aumentando a probabilidade de sucesso da missão. Passaram a ser ferramentas indispensáveis para as grandes organizações responsáveis pela preservação e manutenção da ordem pública, bem como para os atendimentos relacionados às atividades de bombeiros e de defesa civil. Um estudo realizado na cidade de Los Angeles (EUA), na década de 60, concluiu que a área de cobertura de um helicóptero em missão preventiva equivale à de 15 viaturas terrestres, demonstrando o potencial de presença e visibilidade da aeronave. As aeronaves ampliam sua capacidade operacional com a possibilidade de utilização de equipamentos especiais que podem ser instalados e usados em diversas missões, normalmente relacionadas a salvamentos, combate a incêndios e operações noturnas. As missões podem ser emergenciais ou programadas. Para as ocorrências de emergências policiais ou de resgate, as tripulações mantêm-se em regime de prontidão e alerta, respondendo imediatamente diante do acionamento do alarme, sendo convencionado um toque para as ocorrências de caráter policial e dois para as de resgate, para as quais sempre há um helicóptero disponível no pátio para o atendimento e em questão de segundos todos embarcam e decolam para o apoio. Para as missões programadas é necessário um pedido por escrito solicitando o apoio desejado, e com base nele será realizado o planejamento e desenvolvida a missão (reconhecimento, apoio a operações policiais, sobrevoo de fiscalização, etc.) em apoio a qualquer modalidade ou especialidade de policiamento da PMESP.

 

Operações e Apoios Policiais

CAvPM-AOPP-REVISTA-ESPECIAL-7O “Águia” realiza apoio em várias operações policiais, de caráter emergencial ou programado, atendendo ocorrências de acompanhamento, busca em área de mata e a indivíduos suspeitos, voo para levantamento de informações para planejamento operacional de qualquer ordem, apoio a diversas operações policiais, entre outras, correspondendo a cerca de 65% das horas de voo utilizadas pela unidade.

 

Operações Aeromédicas

No contexto de operações aeromédicas,

CAvPM-AOPP-REVISTA-ESPECIAL-8realiza-se Resgate de socorro as vítimas no local do acidente, conduzindo-as a hospitais de referência; Remoção e transporte inter-hospitalar. Trata-se da transferência de pacientes entre hospitais, oferecendo-lhe melhores condições de atendimento conforme seu caso clínico exija; e Transporte de Órgãos – transporte de órgãos ou de receptor, eventualmente, visando possibilitar a efetivação do transplante conforme o tempo de isquemia de cada órgão.

 

CAvPM-AOPP-REVISTA-ESPECIAL-9Bombeiro e Defesa Civil

Os Águias realizam missões específicas em apoio ao Bombeiro e à Defesa Civil, com o uso ou não de equipamentos especiais, tais como: patrulhamento preventivo na orla (prevenção de banhistas – Operação Verão), voos

de avaliação de risco, localização e extração de pessoas de locais de difícil acesso, transporte de gêneros alimentícios e medicação, avaliação e combate a incêndio entre outros.

 

CAvPM-AOPP-REVISTA-ESPECIAL-10Policiamento de Choque

Como plataforma de observação elevada oferece um campo de visão mais amplo e privilegiado, que é muito útil em acompanhamento de manifestações públicas, eventos desportivos, operações de reintegração de posse, rebeliões, além de ocorrências com refém ou artefato explosivo, possibilitando uma melhor consciência situacional aos comandos em solo para que tomem as melhores decisões.

 

CAvPM-AOPP-REVISTA-ESPECIAL-11Policiamento de Trânsito Urbano e Rodoviário

Pelas mesmas razões e características o “Águia” presta apoio em fiscalização de trânsito urbano e rodoviário, patrulhando ruas, avenidas e rodovias, monitorando o tráfego, acompanhando acidentes, orientando as equipes terrestres para atuarem da melhor forma.

CAvPM-AOPP-REVISTA-ESPECIAL-12Policiamento Ambiental

O CAvPM realiza voos de fiscalização ambiental, com aviões e helicópteros, visando a preservação do meio ambiente, pois, com a visão superior, consegue detectar infrações, desmatamentos e irregularidades ambientais que dificilmente seriam identificadas pelas equipes em solo.

 

CAvPM-AOPP-REVISTA-ESPECIAL-13Transporte de Órgãos Humanos

É um serviço relevante prestado pelo CAvPM, com utilização de aviões ou helicópteros.

 

Missões com Aviões

CAvPM-AOPP-REVISTA-ESPECIAL-14Além dos helicópteros, que são o grande vetor do CAvPM, a unidade também presta diversos apoios com avião: transporte de autoridades, transporte de equipes técnicas administrativas e operacionais, transporte de equipamentos e materiais, transporte de órgãos, fiscalização ambiental, etc.

 

Programa DRONEPOL

O programa DRONEPOL SP ganhou força a partir de 2019, com a aquisição de drones para Polícia Militar e integração com o sistema “Olho de Águia”, para transmissão de imagens em tempo real aos Centros de Operações da Polícia Militar (COPOM). Hoje o Programa DRONEPOL SP conta com 154 (cento e cinquenta e quatro) drones, que estão vinculadas a diversos comandos e unidades territoriais, especializadas e de inteligência, com abrangência em todo o Estado, visando proporcionar um serviço mais eficiente, ágil, seguro e econômico em apoio às atividades de Segurança Pública e de Defesa Civil, cuja formação e doutrina ficou ao encargo do CAvPM.

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APERFEIÇOAMENTO CONSTANTE

Pelo perfil das operações e missões aéreas desenvolvidas – nas quais o voo é apenas uma via para salvar vidas e proteger os cidadãos – os profissionais do CAvPM (pilotos, tripulantes operacionais, médicos e enfermeiros de bordo, e mecânicos de aeronave) não podem errar, o que exige aperfeiçoamento constante. Por isso, a instrução e o treinamento são primordiais.

Em 1996, a unidade homologou a Escola de Aviação da Polícia Militar, com objetivo de instruir e capacitar suas tripulações conforme os padrões e técnicas estabelecidas, pautando-se sempre pela segurança e trabalho em equipe. Atualmente conta com 88 Oficiais pilotos em operação em todo o Estado, de 168 já selecionados e formados desde o início. A 20ª Turma de Pilotos do CAvPM acabou de completar a formação básica e iniciou a ascensão técnica para habilitarem-se como comandante de aeronave policial, processo que em média dura 5 anos.

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RESGATE AEROMÉDICO

CAvPM-AOPP-REVISTA-ESPECIAL-17A IMPORTÂNCIA DE MÉDICOS E ENFERMEIROS DE BORDO
As atividades iniciais e operações aéreas desenvolvidas pelos nossos honrosos e briosos fundadores, se revestiram de muita coragem e de espírito inovador, contando sempre com muita criatividade. Nesse sentido, muitas técnicas e
equipamentos especiais surgiram ou foram adaptados nesse período.

Assim, a unidade foi concitada a atender várias demandas, das quais destacamos: vítimas de acidentes (atendimento pré-hospitalar), transportes interhospitalares e transporte de órgãos, fora situações de salvamento de pessoas em locais de difícil acesso. Nessas situações, de forma geral, o apoio era prestado ao Corpo de Bombeiros, que na época, devido às condições e regulamentações, eram consideradas como missões de misericórdia.

Diante dessas demandas, nos idos de 1989, estruturou-se o embrião do Sistema Resgate do Estado de São Paulo, mediante resolução conjunta firmada entre a Secretaria da Segurança e da Saúde, com a participação do Corpo de bombeiros, GRPAe (atual CAvPM) e do GRAU – Grupo de Resgate e Atendimento às Urgências, que possibilitou a composição de uma tripulação técnica, composta por médicos (militares e civis) e enfermeiros de bordo devidamente habilitados para atendimento pré-hospitalar, com conhecimento de medicina aeroespacial, para entender os efeitos fisiológicos da altitude sobre as condições clínicas das vítimas e pacientes, bem como qualificados com relação às peculiaridades do voo.

A partir dessa iniciativa as operações aeromédicas ganharam em qualidade de atendimento, seja no resgate (atendimento pré- hospitalar primário, no local do acidente) ou nas remoções (transporte inter-hospitalar), lembrando que essas equipes desenvolvem uma das operações de maior risco de nossa aviação, que são os pousos em áreas restritas, por conta dos obstáculos, para os quais devem estar sempre atentos e devidamente treinados e orientados para se evitar acidentes. Importante citar que, principalmente na condição de resgate aeromédico, o tempo resposta é um fator muito importante para a sobrevida da
vítima atendida, considerando-se os minutos de platina e a hora de ouro estabelecidas por estudos científicos, e, nesse sentido, o fator primordial é a possibilidade de proporcionar uma equipe médica, com condições de atendimento idênticas a um suporte avançado, com rapidez no local do acidente, condição otimizada pelas características e facilidades de deslocamento e pouso que os helicópteros apresentam.

Importante salientar que os enfermeiros de bordo são policiais militares (praças)
que possuem a qualificação em enfermagem e a unidade possui uma Divisão de Medicina de Aviação, que conta com 3 médicos militares, que operam normalmente em operações aeromédicas, compondo tripulação, a quem compete definir e fiscalizar toda a doutrina e procedimentos de atendimentos.

 

TRIPULANTE OPERACIONAL

Pelas características e peculiaridades da atividade, que exige-se, além de pilotos habilidosos, uma tripulação devidamente treinada e habilitada para o desenvolvimento de todas as missões realizadas pelo CAvPM, de qualquer ordem ou natureza, de caráter policial, de bombeiro ou de defesa civil.
Estamos falando do Tripulante Operacional, a quem compete sempre auxiliar na segurança da equipe e da aeronave, seja em solo ou em voo; transmitir ao piloto todos os acontecimentos e evolução das ocorrências que estejam acompanhando, como se fossem olhos ampliados dos pilotos; e realizar as operações de salvamento com uso de técnicas e equipamentos especiais.

Os Tripulantes Operacionais são Praças que, da mesma forma que os pilotos, são submetidos a um rígido processo de seleção e formação (CTO – Curso de Tripulante Operacional) realizado anualmente pelo CAvPM. Encerrado o curso, o policial complementa os conhecimentos e experiência com um estágio nas Bases de Aviação e posteriormente passam a compor a equipe operacional e atuam nas missões embarcadas, atendendo nas diversas ocorrências com os “Águias”. 

 

MECÂNICOS

O CAvPM, por meio de sua Divisão de Manutenção Aeronáutica, que cuida dos serviços de manutenção de seus helicópteros e aviões, tem um quadro de policiais mecânicos de voo, que comprovem habilitação na área, seja formados em escolas civis homologadas ou pela Escola de Especialistas de Aeronáutica da Força Aérea Brasileira, ou pelo Comando de Aviação do Exército, profissionais extremamente técnicos, que zelam pela confiabilidade e segurança de nossos “Águias”.

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COMANDANTE

Cel PM Paulo Luiz Scachetti Junior
50 anos – 35 anos de Polícia Militar, ingressou na PM em 1986.

 

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Formado pela Academia de Polícia Militar do Barro Branco (APMBB), frequentou o Curso Preparatório de Formação e Oficiais (CPFO) e o de Formação de Oficiais (CFO), com duração total de 5 anos e 4 meses, na primeira turma de CFO com currículo de 4 anos, formando-se no ano de 1991. Inicialmente o Cel PM Paulo serviu no Regimento de Cavalaria – “9 de Julho”; em 1994 ingressou no Curso de Educação Física, formando-se em 1995, quando passou a integrar o corpo de instrutores da Escola de Educação Física da Polícia Militar, para onde foi movimentado. Em 1998 obteve sucesso na seleção de pilotos do GRPAe, para onde foi transferido em 1999, após conclusão do curso de piloto policial de helicópteros, quando ingressou no processo de ascensão técnica para assunção do comando de aeronave, o que se efetivou em 2004, momento em que se inaugurava a Base de Aviação de São José dos Campos, para onde foi designado, sendo um de seus fundadores.

 

No mesmo ano sua esposa, Cel PM Nikoluk, foi movimentada para o Comando de Policiamento do Interior 1 (CPI-1), também em São José dos Campos, vindo a comandá-lo posteriormente, ressaltando que em função das características da cidade permaneceram por lá, onde residem até hoje. Em razão de vagas, quando de sua promoção a Major, foi movimentado para o CPI-1 em 2012, retornando ao GRPAe em 2014, onde se encontra lotado até hoje.

 

Em 2017 foi promovido a Coronel e designado como Comandante da Aviação da Polícia Militar do Estado de São Paulo, denominação nova e ideia antiga que se efetivou sob seu comando em 2018, demonstrando e consolidando mais uma vez a importância e a grandeza da aviação de segurança pública e de defesa civil para a Corporação. Procura em seu comando valorizar as pessoas e melhorar o ambiente de trabalho, pelo que incentiva todo o efetivo a especializar-se constantemente.

 

Recentemente conseguiu ocupar um hangar mais novo no Campo de Marte, denominado de Hangar “João Negrão”, oferecendo melhores condições de trabalho a todos, bem como cita que está em tratativas junto ao Comando da PM e ao Governo para atualizar e modernizar a frota de helicópteros, com a possibilidade de aquisição de 3 novas aeronaves (02 Esquilos e 01 Biturbina).

 

Momentos Marcantes

Ter integrado a equipe de socorro enviada pelo Estado de São Paulo e pelo GRPAe e participado da operação de defesa civil em apoio ao Estado de Santa Catarina, em 2008, devido às enchentes e desmoronamentos de grandes proporções que se efetivaram na região do Morro do Baú, compreendida entre as cidades de Navegantes e Blumenau. O apoio aéreo mobilizou uma quantidade de aeronaves recorde na história do Brasil, envolvendo várias equipes de polícias e bombeiros de outros estados, bem como das Forças Armadas. Relata ainda como momento marcante a sua promoção a Coronel e com ela a oportunidade de Comandar a Aviação da Polícia Militar, e ainda que sob seu Comando pode designar e nomear uma Oficial como a primeira Mulher Comandante de um “Águia”, a Capitão PM Mayara.

 

DEPOIMENTOS

 

Mulheres no CAvPM

Cap Med PM Fabiana Maria Ajjar, é oficial médica responsável pela Divisão Médica de Aviação do CAvPM. A Divisão é responsável pela saúde de todo o efetivo do CAvPM, por controlar as inspeções médicas de caráter aeronáutico exigidas para todos os operacionais da unidade, além de gerenciar todo o desenvolvimento das operações aeromédicas, referente a doutrina, técnica e procedimentos, ministrando anualmente cursos de habilitação a todo o contingente de profissionais de saúde (médicos militares e civis do GRAU e aos enfermeiros militares) que participam e colaboram dessa missão, concorrendo da mesma forma nas escalas operacionais, sendo uma das referências emoperações aeromédicas no Brasil.

Mulheres no CAvPM

Em nome da Capitão Médica Fabiana homenageamos todas as demais mulheres atuantes no CAvPM (pilotas, tripulantes, mecânicas e da administração), bem como de toda a PMESP.

 

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