Emoção e vivacidade destacam desenhos do Sargento PM

Emoção e vivacidade destacam desenhos do Sargento PM

Conheça a história do 3º Sargento PM Raimundo Gomes Vieira Filho que descobriu a paixão pelo desenho na infância

 

Quando seu pai chegava em casa trazendo pão, o garoto Raimundo Gomes Vieira Filho, com 3 anos de idade, se apressava para pegar a imensa folha de papel vegetal que embrulhava as bengalas, e desenhar.

 

“O meu pai me dava uma caneta, e eu já começava a rabiscar. Aí fui aprendendo por aptidão, e hoje vou aperfeiçoando pelo Youtube”, recorda hoje, aos 59 anos de idade. Raimundo é 3º Sargento PM, e atuou durante 30 anos na Polícia Militar, sendo grande parte deste período em Guarulhos, na região do 15º BPM/M.


“A gente sai de órbita e fica completamente compenetrado no desenho”, respondeu contando como se sente quando está diante de uma folha de papel em branco e diversos lápis ao seu redor.

 

O seu amor e talento pelo desenho ganharam notoriedade quando ingressou na Polícia Militar, na companhia em Guarulhos.

 

“Quando eles inauguraram a Escola de Formação de Soldados, souberam que eu desenhava e pediram para ilustrar os brasões”, disse.

 

A partir daí, os trabalhos de Raimundo começaram a ser divulgados entre os policiais militares de outras unidades como a ROTA, 17º BPM/M, 26º BPM/M, 31º BPM/M, o Centro Administrativo da Polícia Militar e o Comando Geral.

 

A perfeição dos traçados feitos pelo sargento impressiona. Cada risco ou sombreamento são feitos cuidadosamente por ele, que desenha olhando para o retrato próximo ao seu estojo de lápis.

 

Concentrado, Raimundo disse que já gastou oito horas para concluir um desenho, e o resultado vale a pena quando o cliente se emociona ao receber o trabalho. Segundo ele, a surpresa é maior quando se descobre que o autor do desenho é policial militar.

 

“As pessoas ainda têm a ideia de que o policial militar não tem a sensibilidade para produzir trabalhos artísticos. Só para você ter ideia, a polícia japonesa emprega a técnica do desenho como forma terapêutica para os policiais. O desenho é algo que mexe com as pessoas. Uma vez, uma policial pediu que eu desenhasse o seu nenê, e me deu uma foto dele como referência. Aí, teve gente que me aconselhou a não atende-la por ser muito chata e soberba, mas eu não dei atenção a isso e fiz o desenho. Quando entreguei, ela se emocionou e me elogiou. O desenho tocou no coração dela”, observou Raimundo.

 

Mesmo na reserva, o sargento não para de trabalhar. Quando visita os locais com alguns dos seus trabalhos debaixo do braço, sempre surgem novos pedidos. Para atender a demanda, Raimundo conta com o apoio do filho, que seguiu os seus passos no mundo do desenho.

 

“Ele está sempre comigo”, concluiu o pai, orgulhoso ao ver que o filho herdou o seu amor pelo desenho.

 

Leia esta história na página 21 da edição impressa da Revista AOPP.